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terça-feira, 5 de maio de 2009

O QUE É LAZER?!

A discussão sobre o conceito de lazer é um tema bastante controverso tendo em vista as diversas correntes de pensamento que estudam a área.
Inicialmente trata-se de um ponto fundamental, definir o termo lazer. Segundo Tribe (2003), “entende-se o lazer como tempo arbitrário, que significa o tempo que sobra depois de trabalhar, locomover-se, dormir e executar as tarefas domésticas e pessoais necessárias, e que pode ser utilizado conforme a nossa vontade”. Isto significa que o lazer pode ser entendido como tempo livre para se realizar atividades prazerosas. Constitui-se de um conjunto de atividades terceiras adversas às atividades produtivas e às obrigações sociais.
A prática de tais atividades pode proporcionar diversas melhorias na qualidade de vida dos cidadãos: maior rentabilidade no campo profissional, melhor convívio familiar e dependendo da prática de lazer exercida, enriquecimento cultural.
O lazer passou a ser valorizado com maior intensidade, a partir do século XX, de acordo com Corbin (2001, p.229) “a invenção dos usos do tempo livre encontra-se estreitamente associada a tudo o que se refere à história dos ritmos, das cadências, dos modos de percepção do tempo e dos métodos de o medir”. Sendo assim totalmente incorporado no momento em que o modelo capitalista de produção percebeu nas atividades relacionadas a tal prática, a oportunidade de desenvolver um novo nicho de mercado.
Considerada uma ação voluntária que se origina dentro de um contexto em que esta inserida uma sociedade, o lazer representa um dos principais elementos econômicos,social e cultural na vida dos homens.
Com a valorização de espaço e de tempo funcionais para o lazer ocorre uma mudança nas características de lazer em relação ao estilo de vida da cidade funcional moderna, que prevê a vivência do lazer em locais e tempos específicos. Segundo Burgos e Pinto (2002, p.12) “essa mudança no estilo de vida não significa o fim dos espaços de lazer na cidade, os quais se tornam cada vez mais singulares pela integração social em redes fluídas de intercâmbio”.
Mas o lazer como direito social convive com mudanças provocadas pelos movimentos sociais e culturais do final do século XX, em prol da melhoria de qualidade de vida e igualdade de direitos para todos os cidadãos e pelo reconhecimento das diferenças e da expressão de identidades coletivas. E de acordo com Burgos e Pinto (2002, p.19) “estes novos tempos são reveladores de um tempo histórico, no qual são valorizados os direitos universais e o lazer como direito a um estilo de vida saudável, embora a conquista desses direitos seja uma luta constante”.
Apesar de o lazer integrar os direitos básicos do cidadão desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas), o reconhecimento desse direito em nossa sociedade somente foi referendado pela Constituição Brasileira em 1988 através de cartas e manifestos internacionais que declaram o direito ao lazer pelos aspectos social e ético.
Segundo Burgos e Pinto (2002, p.19): a conquista de direitos e mudanças nas relações de humanismo e de política instigam novas atitudes dos cidadãos diante dos novos atores sociais:

· Os desempregados, que passam a requerer mudanças nos significados de tempo de lazer.
· Os trabalhadores, que mobilizam a ressignificação de lazer, de trabalho e da relação entre ambos, especialmente legitimada na modernidade.
· Os sujeitos, considerando suas diferenças de idade, sexo, etnia e camada social, que passam a requerer a valorização da história de cada um nas mudanças dos cenários e nas relações institucionais.
· Os voluntários, os promotores, os financiadores, os políticos, os educadores sociais e a sociedade civil como co-responsáveis pelo planejamento, gestão e avaliação das políticas de lazer.

Desse modo um novo dinamismo influencia o gosto e vivências no lazer que passam a ser organizados de forma ordenada. Esta tendência não é nova, mas ganha relevância quando as organizações se estruturam e destacam a importância do lazer dentro de uma sociedade que reconhece a importância do lazer como um direito social, e lembra que, como a vida, o lazer é fundado em necessidades reais, desejos, buscas e diversificados modos de construções de vida.

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