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quinta-feira, 14 de maio de 2009

O SKATE NO BRASIL

Surfistas internacionais que iam ao EUA para surfar, conheceram e levaram a novida-de ao resto do mundo.
Em 1965 o Skate chegou no Brasil. Em pouco tempo a garotada já tinha espalhado a novidade. Os primeiros skates brasileiros eram feitos com rodinhas de patins ou de ferro, os famosos rolimãs, adaptados em pedaços de madeira. Não existiam regras, pois no começo todos queriam apenas se divertir com a novidade. Em 1974, foi realizado no Clube Federal do Rio de Janeiro o primeiro campeonato de Skate brasileiro e no mesmo ano foi inaugurada a 1a pista no Brasil. No ano de 1986 o skateboard brasileiro teve um grande crescimento, diversas marcas de vários segmentos investiram no mercado nacional e assim houve uma expansão do esporte. Mas foi na década de 90 que Skate teve a sua maior evolução no Brasil, não só em mercado, mas também em crescimento de praticantes, organização do esporte e exposição na grande mídia. Hoje podemos afirmar que o Skate é uma grande tendência no Brasil, com o Skate e os skatistas brasileiros representando a 2a maior potência mundial do esporte.
Para melhor entender como o Skate brasileiro chegou a ser reconhecido como a segunda maior potência do mundo foi realizada uma pesquisa em dezembro de 2002 pela Datafolha descobriu que há mais de 2.700.000 de domicílios brasileiros que possuem pelo menos um morador que tem um Skate, aproximadamente 6% dos domicílios brasileiros conforme o IBGE. Deste contingente 8% são do sexo feminino.
O Brasil é um dos poucos países que produzem peças, vestuário e calçados específicos para a prática do Skate e por este motivo detem o titulo de segunda maior industria mundial na fabricação de produtos voltados para o esporte.
Infelizmente não há uma pesquisa realizada a respeito do crescimento econômico nos últimos anos, mas a cada ano o skate está mais solidificado e penetrando em todas as regiões do Brasil.
Para se ter uma boa idéia disto, segundo o Guia de Pistas da revista 100% editado em 2003, existem 721 pistas de skate em mais de 291 municípios distribuídos em 25 Estados (apenas não sabemos a existência delas no Tocantins e Piauí).
O Mercado de Skate (fabricação de peças, vestuário e calçados com revenda no atacado e no varejo) fatura algo em torno de 200 milhões de reais por ano.

O SKATE

O Skate surgiu para o mundo em meados dos anos 60 nos EUA. Surfistas californianos estavam cansados de ficar esperando por boas ondas para surfar e colocaram rodinhas de patins em uma madeira que imitava uma prancha. No inicio era chamado sidewalk surfing, ou seja, surf de calçada, e rapidamente se espalhou por todo os EUA. Em 1965 o sidewalk surfing, já praticado por um grande número de adolescentes, tinha criado identidade, com suas próprias manobras, e assim ganhou seu nome definitivo: Skateboard. Para um melhor entendimento, na lingua portuguesa a tradução de skateboard é Skate, que em inglês significa patins. Em 1974 o Skate teve sua primeira grande evolução: o engenheiro químico Frank Nashworthy descobriu uma composição chamada uretano, material que deu origem as verdadeiras rodas de Skate. Essa invenção deu ao Skate um enorme impulso para que ele definitivamente se consolidasse como um esporte popular.

ESPORTE TAMBÉM É EDUCAÇÃO E INCLUSÃO

De acordo com Marcellino (2001, p.01), “esporte e lazer, a partir de Constituição de 1988,passaram a ser direitos de todos os cidadãos brasileiros. Isso é assegurado também, praticamente,
em todas as constituições estaduais e leis orgânicas de municípios brasileiros”.
A prática de esportes de uma forma regular aumenta a força, potência e resistência muscular, resultando em uma maior capacidade de desempenho nas atividades da vida diária e reduz as demandas nos sistemas musculoesqueléticos, cardiovascular e metabólico. Também atua como fator coadjuvante sobre a redução da ansiedade e da depressão, além de contribuir para uma auto-eficácia e bem-estar psicológico.
O esporte também pode ser utilizado de diversas outras formas como: manter as crianças na escola, reduzir a violência, reduzir o consumo de drogas, para melhorar a saúde da população ou simplesmente para ser feliz. Segundo Linhares (2001, p.33), “a pratica esportiva vem ampliando sua legitimidade como uma prática social capaz de penetrar diferentes estruturas e segmentos que compõem as sociedades”. Como se o dinamismo do desporto tivesse tido a função de exorcizar a ameaça da passividade e da ociosidade.
Atualmente, são milhares as pessoas, de varias idades, nas ruas, parques, praças, praias, todas com uma atitude comum, realizando algum tipo de atividade física. Segundo Guiselini (2004, p.20) “caminhada, corrida, ciclismo, skate, voleibol, futebol, alongamento, abdominal, tai-chi e ginástica, são as atividades mais freqüentemente praticadas”.
No entanto nem sempre foi assim, algumas secretarias municipais de esportes do país iniciaram um grande programa de lazer para estimular a população a praticar algum tipo de atividade física como alternativa de lazer popularizando a prática da atividade física sem a finalidade de performance.
Popularizando assim uma relação positiva da prática do exercício físico com o bom funcionamento do corpo, e mostrando o quanto o corpo necessita de exercício para ser sadio.
Mas a pratica esportiva não tem como objetivo somente manter o corpo saudável, também pode ser utilizada para uma integração da sociedade. Utilizando diferentes atividades recreativas nos momentos de lazer com o objetivo de troca de afetividade, desenvolvendo novas capacidades físicas, mentais e sociais.
O esporte também pode ser utilizado como forma de amenizar o preconceito e a desigualdade social em locais onde sua presença pode ser marcante. Um exemplo pode ser uma “pelada” de futebol jogada no final de semana, (partida ou jogo realizado geralmente em campos de futebol públicos e que não tem o objetivo de competição), onde classes sociais de níveis diferentes se reúnem sem preocupações ou preconceitos quanto ao nível social de cada integrante do time. O mesmo acontece com outras modalidades de esportes como vôlei, ciclismo, basquete, skate entre outros.
O Skate principalmente também já é utilizado como forma de reintroduzir a sociedade jovens infratores presos na FEBEM (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor) da cidade de São Paulo SP. A FEBEM tem a função de fazer cumprir medidas sócio-educativas em jovens e adolescentes menores de 18 dezoito anos que cometem atos infracionais previstos em lei. De acordo com um artigo publicado na revista 100%SKATE (de junho de 2005 ed.87 p.114) “o início do Skate lá dentro se deu há cinco anos, em unidades da FEBEM do estado de São Paulo, com apresentações de skatistas amadores e profissionais”.
Devido ao grande interesse dos internos pela atividade, pouco tempo depois, ela passou a fazer parte da grade de Educação Física junto a diversos outros esportes que já eram aplicados. Este projeto recebeu o nome de “Skate na FEBEM” e chegou a contar com cinco instrutores atuando em diversas unidades do estado de São Paulo.
Com tudo isto o Skate passou a ser muito praticado pelos jovens e visto como uma coisa séria, administrada pela diretoria de esportes da FEBEM.
Porem o objetivo do projeto não é formar superatletas ou campeões, e sim colaborar para reintegrar os adolescentes junto à sociedade utilizando os diversos e pouco explorados recursos que o Skate tem a oferecer.
Portanto o esporte como foi visto pode ser utilizado de diversas formas. Mas para se praticar uma determinada modalidade esportiva com segurança, não depende só da vontade das pessoas de se praticar esta modalidade, e sim de um planejamento sério que deve ser feito pelos órgãos públicos ao se projetarem áreas especificas para a prática de atividades esportivas.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O QUE É LAZER?!

A discussão sobre o conceito de lazer é um tema bastante controverso tendo em vista as diversas correntes de pensamento que estudam a área.
Inicialmente trata-se de um ponto fundamental, definir o termo lazer. Segundo Tribe (2003), “entende-se o lazer como tempo arbitrário, que significa o tempo que sobra depois de trabalhar, locomover-se, dormir e executar as tarefas domésticas e pessoais necessárias, e que pode ser utilizado conforme a nossa vontade”. Isto significa que o lazer pode ser entendido como tempo livre para se realizar atividades prazerosas. Constitui-se de um conjunto de atividades terceiras adversas às atividades produtivas e às obrigações sociais.
A prática de tais atividades pode proporcionar diversas melhorias na qualidade de vida dos cidadãos: maior rentabilidade no campo profissional, melhor convívio familiar e dependendo da prática de lazer exercida, enriquecimento cultural.
O lazer passou a ser valorizado com maior intensidade, a partir do século XX, de acordo com Corbin (2001, p.229) “a invenção dos usos do tempo livre encontra-se estreitamente associada a tudo o que se refere à história dos ritmos, das cadências, dos modos de percepção do tempo e dos métodos de o medir”. Sendo assim totalmente incorporado no momento em que o modelo capitalista de produção percebeu nas atividades relacionadas a tal prática, a oportunidade de desenvolver um novo nicho de mercado.
Considerada uma ação voluntária que se origina dentro de um contexto em que esta inserida uma sociedade, o lazer representa um dos principais elementos econômicos,social e cultural na vida dos homens.
Com a valorização de espaço e de tempo funcionais para o lazer ocorre uma mudança nas características de lazer em relação ao estilo de vida da cidade funcional moderna, que prevê a vivência do lazer em locais e tempos específicos. Segundo Burgos e Pinto (2002, p.12) “essa mudança no estilo de vida não significa o fim dos espaços de lazer na cidade, os quais se tornam cada vez mais singulares pela integração social em redes fluídas de intercâmbio”.
Mas o lazer como direito social convive com mudanças provocadas pelos movimentos sociais e culturais do final do século XX, em prol da melhoria de qualidade de vida e igualdade de direitos para todos os cidadãos e pelo reconhecimento das diferenças e da expressão de identidades coletivas. E de acordo com Burgos e Pinto (2002, p.19) “estes novos tempos são reveladores de um tempo histórico, no qual são valorizados os direitos universais e o lazer como direito a um estilo de vida saudável, embora a conquista desses direitos seja uma luta constante”.
Apesar de o lazer integrar os direitos básicos do cidadão desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas), o reconhecimento desse direito em nossa sociedade somente foi referendado pela Constituição Brasileira em 1988 através de cartas e manifestos internacionais que declaram o direito ao lazer pelos aspectos social e ético.
Segundo Burgos e Pinto (2002, p.19): a conquista de direitos e mudanças nas relações de humanismo e de política instigam novas atitudes dos cidadãos diante dos novos atores sociais:

· Os desempregados, que passam a requerer mudanças nos significados de tempo de lazer.
· Os trabalhadores, que mobilizam a ressignificação de lazer, de trabalho e da relação entre ambos, especialmente legitimada na modernidade.
· Os sujeitos, considerando suas diferenças de idade, sexo, etnia e camada social, que passam a requerer a valorização da história de cada um nas mudanças dos cenários e nas relações institucionais.
· Os voluntários, os promotores, os financiadores, os políticos, os educadores sociais e a sociedade civil como co-responsáveis pelo planejamento, gestão e avaliação das políticas de lazer.

Desse modo um novo dinamismo influencia o gosto e vivências no lazer que passam a ser organizados de forma ordenada. Esta tendência não é nova, mas ganha relevância quando as organizações se estruturam e destacam a importância do lazer dentro de uma sociedade que reconhece a importância do lazer como um direito social, e lembra que, como a vida, o lazer é fundado em necessidades reais, desejos, buscas e diversificados modos de construções de vida.
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